terça-feira, 15 de abril de 2008

Eleições paraguaias na mídia guaicuru


Com o meu dragão interior já sob controle, volto a falar sobre as eleições paraguaias. Acabei de assistir ao Jornal Nacional e nenhuma palavra sobre o fato foi pronunciada por Fátima Bernardes e William Bonner. O "Q" da Globo Nacional é um "Q" de "quartel-general" da desinformação. Mas se as eleições no Paraguai continuam invisíveis para a Vênus Platinada, a mídia guaicuru já está pautando o assunto. A jornalista Jaqueline Lopes viu o nosso post aqui e fez uma reportagem abordando um pouco da história do nosso país-irmão. Levantou seus problemas sociais e econômicos, ouviu um analista e destacou que as pesquisas indicam Lugo com onze pontos à frente da segunda colocada, Blanca Ovelar, do Partido Colorado que domina o País há mais de seis décadas - portanto, somente a fraude impedirá a vitória da coalizão que defende mudanças profundas nas terras paraguaias. A TV Morena (Globo Regional) viu a reportagem de Jacqueline, no Midiamax, e já pautou o assunto. Esse pequeno exemplo, somado ao da minha nova amiga virtual Roseane, brasileira que está na Alemanha e divulga as lutas indígenas, ao da Miti que pegou a Carta às Autoridades com o clamor dos guarani-kaiowá e encaminhou para a sua lista de e-mails, ao do Mario que está traduzindo para o francês o texto da Jacqueline sobre os suicídios indígenas para divulgar em Paris, as amigas que, depois de passarem por aqui, se interessaram pela produção criativa da Kelly, da Maria do Povo, enfim, esses pequenos exemplos mostram que a mídia alternativa tem um certa força, que não pode ser desprezada. Diferente do que alguns dizem e, do que algumas vezes também começo a achar, ser blogueira não é tão fútil, sem contar nas boas emoções proporcionadas pelos encontros e reencontros com os amigos. Isso me permite experimentar a felicidade.E sorriso largo abri quando li a reportagem da Jack sobre os ventos de mudança que chegam no Paraguai.


Eleições Paraguaias no Midiamax

* por Jacqueline Lopes
(...) Durante campanha eleitoral foi registrada denúncia de fraude. Segundo o G1, o TSJE (Tribunal Superior de Justiça Eleitoral), órgão responsável pela eleição no país vizinho, trouxe em seu site problemas no registro do eleitor. Cada cidadão tem um número de registro para votar. Mas no Paraguai um mesmo número chega a atender até quatro pessoas.
A Justiça eleitoral do Paraguai não aceitou auxílio brasileiro no uso de urnas eletrônicas. A votação será em cédulas de papel. Pesquisas do lado paraguaio dão a preferência a Fernando Lugo (41%) e em seguida, a candidata governista Blanca Ovelar (30%). Leia texto na íntegra acessando http://www.midiamax.com/politica/


Eleições Paraguaias no olhar de Emir Sader


Paraguai tem a melhor oportunidade, nas seis décadas de ditadura do Partido Colorado, de se ver livre dele e colocar em prática as reformas que o país necessita, democratizando- em termos políticos e sociais, para superar seus graves problemas econômicos e sociais. A liderança de um grande combatente da oposição - o bispo da teologia da libertação, Fernando Lugo - permite ao povo paraguaio dispor de uma real alternativa à candidata do Partido Colorado, Blanca Ovelar, e a um ex-dirigente desse partido, Lino Oviedo, envolvido em graves acusações na justiça por participação no assassinato de um ex-vice presidente, entre outras (...)
(...)programa da Aliança Patriótica para a Mudança, que reúne a 9 partidos políticos – entre eles um tradicional, o Partido Liberal, e um novo, o Tekojoja - e a mais de 20 movimentos sociais, propõe uma reforma agrária integral, que não represente apenas uma distribuição de terras, mas transformar os camponeses e os indígenas, aqueles que realmente trabalham a terra, em sujeitos de um novo modo de produção agrícola. Propõe também um programa de reativação econômica estreitamente associada à equidade social, para que o Paraguai deixe de ser um dos países mais pobres e de concentração de riqueza do continente, democratizando a reativação econômica.Ao mesmo tempo, propõe a recuperação da institucionalidade da repúbica e a independência do poder judicial, despartidarizando-o, elementos ambos da democracia política que termine com a apropriação do Estado pelo Partido Colorado. Além disso, propõe a conquista da soberania nacional, incluindo a soberania energética, para que o Paraguai deixe de ser apenas um pais agrícola, produtor de gado e exportador de matérias primas. Leia mais: http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=175

Labaredas, cara amarrada, boca fechada e Saramago

Tela: abstrato - Tomie Ohtake
Tenho uma pauta imensa de assuntos que queria conversar com vocês aqui, no nosso coreto virtual. Um deles é o filme A Vida dos Outros, indicação do Nill e, depois, reforçada pelo Mário. Vi a película, achei bárbara e já construí um texto no meu espaço imaginário do cérebro. Tenho mania de, ao estar parada, inventar histórias, imaginar diálogos. Só não tive tempo de transformar esses pensamentos em algoritmos do computador. Também quero falar sobre amor, desamor, sobre os "ficantes". Também desejo dialogar sobre o que tem significado ser uma mulher com 40 anos, de esquerda, feminista, neste início de século XXI. Também almejo muito fazer um post sobre a beleza das produções da Maria do Povo. E, por último, debater o texto A Identidade da Esquerda, do Leandro Konder, professor da PUC/RJ. Só vou deixar um trecho para vocês irem mastigando e digerindo as palavras: “A esquerda é jovem, incômoda, briguenta. E faz reivindicações. A direita abomina os conflitos da luta de classes e faz concessões à massa dos trabalhadores. Quando a pressão social é grande, as conquistas da classe operária são mais significativas”. E Konder vai, com muita inteligência, tecendo um crítica às concessões que o governo Lula fez à direita.
Nossa! Não sei nem por onde começar. Mas hoje estou mal humorada, com a cara amarrada, com as labaredas do dragão que adormece no peito querendo sair da minha boca: queima, dói, lateja...Aí, prefiro ficar mesmo com poesias. Encontrei o José Saramago. Você sabia que ele não pôde concluir os estudos secundários (liceu e técnico) por dificuldades econômicas? Sim, o Prêmio Nobel foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, como desenhista, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. E, claro, foi condecorado como Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Turim (Itália), 1991, Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Sevilha (Espanha), 1991, Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Manchester (Inglaterra), 1994. É, diploma não é tudo. E nesse encontro com a poesia, você podia postar uma poesia aqui. Sim, uma poesia tão intensa como esse sol ardente de outono.


Poema à Boca Fechada
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei
Pois que a língua que falo é doutra raça.
Palavras consumidas se acumulam
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vasa de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em me não conhecem.
Nem só lodos a se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quanto me calei,
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago


Elis - Aos nossos filhos


segunda-feira, 14 de abril de 2008

FMI: nada mudou

A Liberdade guiando o povo
(1830, Louvre, Paris)
é uma das obras mais célebres
de Delacroix.
(tenho paixão por esta tela)
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A Maria-Sem-Vergonha recebe mais uma contri-buição importante. Um texto de um jornalista especial, amigo e companheiro, com quem já partilhei boas lutas e muita esperança na defesa dos Direitos Humanos, que atravessou o Atlântico e está em Paris. E, lá, manteve os olhos abertos e a consciência acesa. No Artigo abaixo, Mario Doraci faz um resgate da história do FMI, da dependência brasileira e como age, agora, o Fundo sob a chefia de um socialista francês. Não deixe de ler. Rende um bom debate.
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* Por Mario Doraci

"Você sabe o que é caviar ? Nunca vi,
nem comi, eu só ouço falar… "

O FMI nasceu em 1944 e foi posto em prática um ano depois. No início era para ajudar na reconstrução dos países europeus massacrados pela segunda guerra, administrar um sistema de índice de trocas fixas e enquadrar os movimentos de capitais internacionais. Bretton Woods, o banco que detém o aval de 180 chefes de estado para o fundo monetário, é sediado em Washington. O FMI não é monastério, não é entidade filantrópica, é banco como qualquer outro, e é formado por pessoas de linha dura, ultra conservadoras na linguagem econômica. Sua política é draconiana. Ele empresta dinheiro, mas impõe um regime quase impossível de se obedecer, é quase comparável a um agricultor que bate à sua porta para comprar um trator, sabe, lidar com uma roça de vinte hectares…alimentar a família e vender na feira livre direto ao consumidor. O banco sai ileso porque não perde, mas o pobre agricultor teve que hipotecar a terra, os bens materiais e o produto de seu trabalho durante anos. O FMI não é diferente e não perdoa maus administradores. Na verdade, os banqueiros ganham em cima de gente que administra mal os investimentos porque os juros não esperam a crise passar e não detém o curso da história das bolsas de valores. O Brasil emprestou com JK para construir Brasília. Depois veio a ditadura e o « milagre econômico » de 1968 a 1973. Por que o milagre não continuou? Lembremos que o salário era muito baixo, as greves e piquetes eram proibidos, havia carestia, inflação galopante, o trabalhador era escravo do emprego, havia toque de recolher, e, sem carteira assinada, na rua depois das seis, o elemento, no jargão policial, era bandido. Em 1973, teve a crise do petróleo e a guerra do Yon Kypur…e de moeda desvalorizada o Brasil militar novamente foi ao FMI. Pedir ao FMI é o mesmo que se entrevistar com o diabo e pedir a ele recomendações de como ir para o céu…alguém ja viu um país endividado, em crise econômica, sair do buraco com « ajuda » do FMI ? Quando um país está se afogando, eles jogam a corda sim, mas com as duas pontas. Aquele presidente, não é amnésia, mas ele pediu para esquecê-lo, também pediu emprestado, depois Sarney e FHC. Segundo analistas econômicos franceses e americanos, na era FHC, não era preciso pedir socorro ao banco internacional, mas ele o fez. A dívida ronda a casa dos 250 bilhões de dólares. O pior é que, à partir de 1974, a política interna do FMI mudou, ficou mais severa, triplicou os juros e as formas de reembolso e nessa quem ficou com a pior foi o Brasil.
Segundo o diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Khan, ex-candidato presidencial pelo Partido Socialista que perdeu a vaga para a concorrente do mesmo partido, Ségolène Royal, está pedindo socorro. Nomeado ao cargo pelo inimigo politico e atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, e aprovado por integrantes do G5, ele diz que “é preciso desbloquear o sistema de indexação”. A razão de ter aceito a indicação é que ele era prefeito de um vilarejo na periferia de Paris, sem luzes para si mesmo, muitas vezes em meio aos conflitos sociais de imigrantes árabes e africanos. DSK afirma também que é preciso pensar e ajudar os quase trinta países com falta de trigo, feijão, arroz e açúcar…veja bem, nem carne, nem leite, nem vestes…apenas o produto primário do pão. Mas o FMI atualmente parece mais humano…seria seu novo presidente « socialista » dirigindo uma entidade capitalista até os cabelos do pé ? Nada disso, isso seria o paradoxo do objetivo do capital. Enquanto o povo haitiano, africano e de outras tantas nações comem bolacha de argila, do outro lado se come caviar e champanhe francês, Dom Pérrinhom, o mais caro. O que querem os investidores do FMI ? Salvar uma parte do planeta ? Se tornar defensores da fome? Não! Apenas novos clientes pra continuar a sangria de dólares e salvar nações ricas.
Numa entrevista concedida ao Financial Times, DSK diz « a crise é global » e que « os países ricos devem se unir para evitar o problema que derrubou as bolsas em 1929 ». Antes de assumir o cargo de diretor do FMI, DSK afirmara em Paris que resgataria a credibilidade do sistema financeiro e facilitaria os empréstimos aos países com economia estagnada. Felizmente o Brasil parou de pedir dinheiro ao FMI no governo Lula, apenas envia pra eles uma parcela considerável do PIB (desconheço o valor) que serviria para realizar a dita reforma agrária, investir na saúde e educação.

*Mario Doraci é jornalista sul-matogrossense, Mestre em Ciências Políticas da Comunicação, doutorando em Ciências Políticas e Sociologia, em Paris.

domingo, 13 de abril de 2008

Sonhos Guaranis - eleições limpas no Paraguai


Domingo à noite na TV aberta é um atentado contra a inteligência do telespectador. Tentei ver o Fantástico e, mais uma vez, não consegui. É sórdido demais o que a mídia faz com uma tragédia, criando um verdadeiro espetáculo diante de uma dor. O caso da menina Isabella continua sendo a sensação midiática. Nada de novo no front. Só a intensidade da comoção, completamente, descontextualizada. Isso não me interessa. O que me interessa, hoje, é saber sobre as eleições no Paraguai, país-irmão que teve seu futuro massacrado pela Tríplice Aliança, a serviço dos interesses britânicos, numa guerra insana e injusta (aliás, não existe guerra justa). O Brasil deve muito ao povo paraguaio.
Talvez você não saiba: daqui a seis dias, 20 de abril, o povo paraguaio vai escolher o seu novo presidente da República. Parece que ventos de mudança também passam por lá. Pela primeira vez em mais de 60 anos, o Partido Colorado, no poder desde o início da ditadura militar em 1954, quando o general Alfredo Stroessner deu um golpe de Estado e assumiu a presidência, pode deixar o poder. Pesquisas de opinião apontam a vitória do ex-bispo Fernando Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança, amplíssima coalizão de centro-esquerda, que abriga de comunistas ao tradicional Partido Liberal Radical Autêntico, agremiação formada por setores nacionalistas. Lugo está na frente da candidata do partido governista, Blanca Ovelar, e já anuncia o seu compromisso com mudanças importantes, como a realização da reforma agrária e com a revisão do Tratado de Itaipu, uma revisão absolutamente necessária, uma vez que o valor pago pelo Brasil oscila de U$S 22 a U$ 44 o KwH. A média de preços da energia hidrelétrica no mercado brasileiro passa dos U$S 80 o KwH.
Fraude - O grande temor nas eleições paraguaias é a fraude. E, pelo visto,somente ela impediria a vitória de Lugo. O temor se justifica. Praticamente, tudo no Paraguai é controlado pelo Partido Colorado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Dizem que por lá ninguém consegue emprego ou acesso a qualquer serviço público se não apresentar sua ficha de filiação no partido. Eleições limpas no Paraguai me interessam. Ainda sou daquelas que canta Paralamas :“E mesmo que pareça tolo. E sem sentido. Eu ainda brigo por sonhos. Eu ainda brigo.” E uma América Latima livre, igualitária e hermana me interessa muito. É que “Mato Grosso espera esquecer quisera o som dos fuzis.Se não fosse a guerra quem sabe hoje era um outro país, amante das tradições de que me fiz aprendiz em mil paixões sabendo morrer feliz”.

sábado, 12 de abril de 2008

Índios Guarani-Kaiowá pedem ajuda

Foto: Campanha Guarani

Enquanto a mídia provoca uma comoção nacional em torno do caso da menina Isabella, descontextualizando o fato do problema da violência doméstica, que atinge mulheres, crianças, adolescentes e idosos, deixando invisíveis milhares de Isabellas que são vítimas de agressões, espancamento e até da violência sexual e outras milhões são vítimas da violência da fome e da miséria. Enquanto a mídia faz um carnaval na história do dossiê dos cartões corporativos, tansformando a tapioca na questão central e omitindo que, mesmo assim, com a tapioca do governo Lula e tapioca, vinhos, codornas e outras coisas do governo FHC, os cartões possibilitam maior transparência e controle social - neste caso é bom citar um ótimo artigo de Lula Miranda, da Caros Amigos, que ao criticar a postura do "aloprados e sabujos" do jornalismo brasileiro na tentativa de criar o "escândalo do dossiê", lembra que constam nas páginas do tal documento referente às despesas de FHC "coisas como o custo de codornas desossadas que abastecem a cozinha do planalto, de lixas de unha, passagens aéreas internacionais, de garrafas de champanhe etc. Teve até gente que se apressou (e se alegrou) em divulgar, numa outra ocasião, a aquisição de um pênis de borracha, como se esse artefato pudesse ter sido utilizado para fins outros que não aulas sobre reprodução humana ou ensinamentos correlatos. É enfim de uma baixaria atroz, indigna do grande país que pretende ser o Brasil e de suas respeitáveis instituições" - ele reforça que Dona Ruth Cardoso e FHC merecem respeito. Assim, como Lula e Dona Letícia também. http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=3858 . Enquanto a mídia mostra a cor do vestido da Clinton, todos os passos do Obama e McCain, transformando as eleições estadunidenses, que acontecem apenas em novembro, num espetáculo, no qual as questões de fundo do império são omitidas - já as eleições no Paraguai, nosso país-irmão, que será no próximo dia 20, passa invisível (quero falar sobre isso amanhã - que vença Lugo). Enquanto tudo isso é notícia, os nossos índios Guarani de Mato Grosso do Sul fazem um clamor às autoridades brasileiras: a cada 12 dias um índio é vítima de suicídio, 43 indígenas foram assassinados no ano passado e 600 crianças indígenas estão em situação de desnutrição. Participe desta campanha. Encaminhe o texto da carta abaixo para o presidente da República e às autoridades relacionadas abaixo (estou buscando ajuda para conseguir os e-mails para que o processo seja mais ágil e fácil - toda ajuda será muito bem-vinda, e, hoje, manhã de domingo do dia 13, a ajuda veio de Roseana, uma brasileira que mora na Alemanha e ajuda a divulgar o clamor dos índios brasileiros. Abaixo estão os endereços eletrônicos. Então é só copiar o texto e mandar):

CARTA ÀS AUTORIDADES

Excelentíssimo Presidente,


Estou muito preocupado com a situação dos mais de 27.500 indígenas Guarani-Kaiowá que habitam o Estado do Mato Grosso do Sul. Estima-se que no estado a desnutrição afeta pelo menos 600 crianças indígenas. Na região de Amambai há 180 crianças com problemas severos decorrentes da insuficiência na alimentação.
Nos últimos três anos mais de 53 crianças indígenas morreram por desnutrição. Somente no ano de 2007, 43 Guarani foram assassinados e outros cometeram suicídio, e muitos tornaram-se vítimas de alcoolismo.
Na raiz desta situação está a omissão do Governo Federal Brasileiro que não garante que a FUNAI realize o trabalho de identificação e demarcação das terras indígena, não elabora políticas públicas voltadas para esta população, não protege adequadamente aos povos indígenas contra a violência, discriminação e criminalização de suas lideranças, e não garantia de acesso aos territórios tradicionais dos povos indígenas, conforme o que está previsto na Constituição federal.
As matas, onde os Guaraní-Kaiowà podiam coletar alimentos como as frutas, o mel, caça, pescado e a matéria-prima para fazerem suas casas e utensílios., foram roubadas e destruídas por fazendeiros. Esta situação será agravada com a implantação das 30 usinas de cana de açúcar previstas para aquele Estado nos próximos três anos.
O Brasil como Estado Parte de Pactos Internacionais de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) da Convenção Americana sobre Derechos Humanos, do Protocolo de San Salvador e do Convênio 169 da OIT, assumiu compromissos no âmbito do direito internacional de proteger e respeitar os direitos à terra, à alimentação, à água e em especial à vida das famílias indígenas.
Portanto solicito respeitosamente que Vossas Excelências adotem medidas garantindo que:
  • A FUNAI faça com extrema urgência a identificação e delimitação de todas as terras Indígenas do Mato Grosso do Sul conforme previsto no CAC, referente ao Procedimento Administrativo MPF/RPM/DRS/MS 1.21.001000065/2007-44. Após o processo de identificação e delimitação que sejam imediatamente homologadas as terras pelo Ministério da Justiça.
  • Seja implementado uma política, a médio e longo prazo, de recuperação ambiental das áreas devastadas, na perspectiva de recompor as condições básicas do modo de ser e de viver dos povos Guarani-Kaiowá, garantindo-se o direito a se alimentar.

  • Enquanto este processo é desenvolvido a alimentação dos povos indígenas deve ser garantida por distribuição regular de cestas básicas que respeitem a cultura alimentar destes povos ou por outros programas que garantam a alimentação adequada.

  • Sejam investigados, com agilidade, os crimes cometidos contra os indígenas, e punidos os responsáveis.

  • Os Guarani-Kaiowá sejam protegidos contra práticas de criminalização de sua luta pela terra e por seus direitos em geral. Por favor, mantenha-me informado das medidas que forem tomadas.
  • Respeitosamente

    assinatura

    __________________________________________________

    Encaminhar carta para:

  • Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente do Brasil

Praça dos Três Poderes,

Palácio do Planalto - 3º andar

casacivil@planalto.gov.br

Brasília - DF - 70150-900

  • Patrus Ananias

Ministro da Desenvolvimento Social e Combate à Fome

Esplanada dos Ministérios, Bloco C, 5° andar

ministro.mds@mds.gov.br

Brasília - DF - 70046-900

  • Paulo Vanucchi

Secretário Especial dos Direitos Humanos

Esplanada dos Ministérios,

Edifício Sede do Mistério da Justiça

direitoshumanos@sedh.gov.br

Brasília - DF - 70064-900

  • Tarso Genro

Ministro da Justiça

Esplanada dos Ministérios,

Bloco T - Edifício Sede

gabinetedoministro@mj.gov.br

Brasília - DF - 70064-900

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Sexta poética no Coreto


Cena do Filme Bodas de Sangue, de Carlos Saura

As sem razões do amor
Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no elipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.


Poema sobre a recusa
Maria Teresa Horta

Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus dedos

se ter formado o afago

sem termos sido a cidade

nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor

nem o interior da erva.

Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

minha raiva de ternura

meu ódio de conhecer-te

minha alegria profunda.

Nem tudo que parece é - ou é? Ou não é?

Tela: Antopofagia
Tarsila do Amaral

Ando meio intrigada. Quero trer o direito de defender aquilo que é defensável e quero o direito de criticar aquilo que é merecedor de crítica. Na semana passada, percebi o quanto ainda é insano o debate em torno das questões de governo e de política partidária. Quando o debate cai aqui no mundo dos mortais, sem os referenciais teóricos e sem método de análises, os discursos ficam no senso comum e trilham o caminho do maniqueísmo e do preconceitos. Aí, se você defende, é rotulada de alienada. Se você contesta, o seu ato pode ser visto como conspiração. Reivindico para mim o direito de expressar o que penso e o de até mudar de opinião no dia seguinte. Reivindico o direito de ficar na dúvida, de refletir e, ainda, o direito de acreditar que, apesar de tudo, é no movimento político que as mudanças acontecem, exercendo a práxis: teoria e prática. Pelo menos, é o que demonstra a história da humanidade. Por exemplo, um dia desses falei tanto no Dalai Lama e eis que abro a útlima edição do Jornal Brasil de Fato e me deparo com informações que desmistificam o prêmio Nobel da Paz e me deixaram um tanto chocada. Publico abaixo alguns posts que estão me deixando com pulgas atrás da orelha...e as pulgas estão incomodando e muito, mas quero ter o direito de ser incomodada e de pensar...pelo menos isso.


Dalai Lama e o Financiamento da CIA
Reportagem do jornalista Humberto Alencar no Jornal Brasil de Fato, da semana passada, traz as seguintes informações: "Exilado em Dharamsala, na Índia, onde está à testa de uma comunidade de 120 mil tibetanos, o 14° Dalai Lama é apresentado desde 1959 pelos meios de comunicação de massa como um dos maiores defensores da paz no mundo e líder espiritual. Seus gestos desmentem esses epítetos. “O jornalista revela que Dalai Lama participou da 1ª Assembléia nacional da China, em 1954, sendo inclusive eleito um dos vice-presidentes do Comitê Permanente. Na ocasião afirmou que o povo tibetano gozava de liberdade em suas crenças religiosas. O rompimento aconteceu em 1956, quando a China cogitou promover a reforma democrática do Tibete, separando a religião do Estado, abolindo a servidão rural e a escravidão doméstica e redistribuindo a propriedade das terras e dos rebanhos, monopolizada pela aristocracia civil e pelos mosteiros. De acordo com a reportagem, o movimento tibetano no exílio e o próprio Dalai foram financiados pela CIA. De acordo comn documentos abertos da inteligência estadunidense, o movimento recebeu R$ 1,7 milhão de dólares por ano.


PSol, PT e a Direita - Chico Alencar na Caros Amigos

Sou suspeita para falar. Tenho um admiração enorme e escancarada pelo Chico Alencar, desde a época em que fiz o curso de História e o conheci num encontro no Rio de Janeiro que discutiu a participação dos movimentos sociais na Constituinte. Lá, também tive a oportunidade de descobrir que ele é um grande escritor. Chico é um homem decente, sensível, coerente, marcante, inteligente e com uma formação cultural invejável. Hoje, no PSol, Chico é pré-candidato na disputa à prefeitura do Rio. E lá também tem Gabeira por quem nutro muito respeito. O Rio tem duas grandes opções de mudança. Aquela cidade, a mais bela de todas que já conheci, e o o seu povo merecem um outro destino. Li a entrevista do Chico na Revista Caros Amigos e reproduzo aqui um techo marcante. Quem quiser lê-la na íntegra é só clicar no link abaixo. Como um bom historiador, um bom educador, Chico continua me ensinando novas lições.Concordo com Chico em muitas questões. Sim, em vários momentos o PT se aliou à direita, mas tenho a convicção de que alguns setores importantes fazem resistência ao núcleo dominante do Partido e isso acaba contribuindo para que alguns avanços aconteçam e várias lutas sejam travadas interna e externamente.

Link para a entrevista completa:

http://www.chicoalencar.com.br/chico2004/chamadas/2008/carosamigos10042008.htm

Carlos Azevedo - Sua trajetória no PT foi de 1987 até 2005?

É. Uma longa trajetória. Mal comparando, é como na vida afetiva, que temos relações mais marcantes, duradouras e pelo tempo de convivência elas têm um peso muito relevante. Diria que, do ponto de vista de um casamento político, meu tempo no PT é marcante, inesquecível, mais para o bem do que para o mal. Mas foi um processo extremamente doloroso.

Sérgio de Souza - Quando e por que começa seu estranhamento com o PT?

No meu caso, no PT, o impasse mais significativo foi com minha candidatura à prefeitura em 1996, quando a cúpula do partido, Gushiken, José Dirceu, Lula, insistia que o partido tinha de se abrir. O Rio sempre foi uma moeda de troca, pro PT fazer acertos nacionais, dentro de um campo que incluía os chamados partidos progressistas. Na militância, as bases e as convenções sempre batiam de frente. Então, em 1996 havia essa orientação, mas o partido fortemente optou por uma candidatura própria à prefeitura, por uma aposta ousada, contra todas as possibilidades e contra o núcleo duro da direção nacional. Apesar disso, deu certo. Lula só foi no último comício, a três dias da eleição. Até fez uma autocrítica, dizendo que tinha que ter apoiado antes. Com o Zé Dirceu já tinha tido alguns arranca-rabos. Por ali começou, dois anos depois teve uma intervenção direta pra tirar a candidatura de Vladimir Palmeira e impor a aliança com o PDT do Garotinho. Vai criar cobra pra te picar lá no Butantã... Em 2002, quando me candidatei a deputado federal, a gente viveu uma contradição. Havia um movimento de base, de ruptura com o peleguismo, e o Lula candidato mais uma vez; dessa vez vitorioso.
Também houve a nossa célebre reunião, até acabei sendo protagonista, eu perguntei para o Delúbio (tesoureiro do PT): senhor tesoureiro, e esse tal de Marcos Valério? Sabia apenas que a Articulação (tendência majoritária do PT) tinha esquemas, algumas campanhas pareciam milionárias. "É apenas um amigo meu, que quer colaborar com o partido." Poxa, pensei, então, na próxima campanha eleitoral, em 2004, vamos colocar todas as nossas contas de campanha em tempo real. Aí ele falou: "Ô, Chico, transparência, transparência demais é burrice" - uma frase que até ficou famosa. Olha só, Norberto Bobbio (cientista político italiano): "A democracia é o regime da transparência e nela não pode haver nenhum segredo". É ou não é uma contradição?


Carlos Azevedo - Você acha que o PT passa por essa transformação depois de entrar nesse descensão? Em que medida descensão influencia?
Suponho que essa relação é sempre dialética. Há quem diga que partido político é necessariamente uma estrutura institucional e, quanto mais tempo passa nas estruturas formais, disputando eleições, ocupando cargos, mandatos parlamentares ou executivos, vai arrefecendo sua pujança mudancista, revolucionária. Haveria uma contradição entre partido e revolucionário...

Carlos Azevedo - Enfraquece sua relação com as raízes populares?

Vai criando estruturas e, como no Brasil... - aí é uma tese de um historiador menor - o peso da institucionalidade é muito grande, inclusive pra luta da esquerda, todas as nossas lutas mais marcantes da geração cinqüentona e sessentona tiveram um viés de institucionalidade: Anistia, Diretas Já, Constituinte. Aquele Brasil bonito das Diretas Já produziu as maiores manifestações de massa com sentido político da nossa história. Mas, mesmo antes, a própria Aliança Libertadora Nacional de 1935 tinha um conteúdo de institucionalidade, um programa de reformas, a luta pela democratização no fim do Estado Novo, o Manifesto dos Mineiros não era socialista nem revolucionário, mas era um duto de liberdades democráticas que muita gente progressista assimilou, entrou. O movimento das reformas de base no Jango, também pelo viés da institucionalidade. O movimento pela legalidade contra as tentativas de golpe, de impedir a posse do vice-presidente que estava na China. Até no plano cultural, de mudanças mais profundas na sociedade, o movimento modernista, que acontece em São Paulo (1922) e não na capital federal, que era o Rio, um pouco pra fugir do oficialismo, também não deixa de ter conexões com a institucionalidade da época, questionando a dominação oligárquica.


Roberto Manera - Com seus programas tão semelhantes, os partidos políticos parecem monolíticos e, no entanto, a opinião coletiva dos partidos é de uma variabilidade absurda. Um cara que ontem defendia isso, amanhã se coloca contra porque outro grupo está no outro extremo da gangorra. Não tem sido isso?
Eu acho que o PT exacerbou essas incoerências. Agora, sinceramente, no Brasil, aí concordando em partes com você, há partidos como o PSB, o PDT, o próprio PPS, o PT, o PSTU, o PC do B, o PSOL que têm um aspecto semelhante no seu programa. Todos esses, sem exceção, falam de socialismo, da importância do Estado, da importância do controle social, da participação, da organização dos trabalhadores, dos explorados, oprimidos, vilipendiados e tal. E dessa meta de construir uma sociedade diferente, socialista. O programa, para falar do programa, papel - o papel aceita tudo, é verdade -, os programas do PSDB, do PFL, do DEM, do PTB, com nuances um pouquinho mais para aspectos trabalhistas, do PP, do PL, hoje PR, do PMDB, estão num outro campo da economia de mercado, da democracia liberal como a realização plena do seu ideário. Pode ler lá. Agora, isso é pouco, e aí você tem toda a razão. O que conta mesmo, e, aliás, essa é uma afirmação clássica de esquerda, é a prática; a prática é o critério da verdade. Talvez o grande mal para a esquerda que o PT tenha causado, os segmentos dominantes do PT, tenha sido o de a prática não coincidir com o ideário. Mas há muita gente séria, boa, cada vez mais desiludida, no PT.

Roberto Manera - E vocês estão de braços abertos para eles?

Claro que estamos. Há uma hegemonia no PT que dá a fisionomia do partido hoje, que tem uma incoerência entre o programa e a prática, entre a intenção e o gesto, entre o proclamado e o praticado, sem constrangimentos agora. Isso é que é terrível. Às vezes, os bons companheiros que ainda sobrevivem na bancada do PT, em Brasília, pedem para nós poucos, Ivan Valente daqui de São Paulo, Luciana Genro do Rio Grande do Sul, e eu. Falam: "Pô, pega firme nisso aí que vocês têm condição, a gente não pode bater tanto". Porque tem a tal desgraçada governabilidade parlamentar. Alguém tinha feito uma pergunta também aguda: será que o que acabou como expressão não é a forma "partido político"? Eu digo que não. Agora, não se inventou ainda outro instrumento que não o partido político para fazer uma disputa com um mínimo de regras e ocupar espaços do poder institucional que, volto a dizer, não é todo o poder.

Aumento dos juros:Banco Central contra o Brasil

Li o post abaixo no blog do Zé Dirceu e achei muito interessante (não precisam torcer o nariz, por causa do autor). Achei o texto didático e esclarecedor, desnuda a política do Banco Central, demonstrando que a instituição age contra o Brasil:
“A cena se repete como se fosse um vídeo: o Banco Central (BC) vai aumentar os juros para manter sua autoridade, porque se não o fizer está desmoralizado. Essa é a lógica da corporação, que criou um espírito de corpo típico dos megaconglomerados, mas é uma falsa imagem, um faz de conta do BC. A realidade é outra. O Banco está de tabelinha com os agentes financeiros, trocando figurinhas com as expectativas de mercado que ele mesmo cria ao anunciar que subirá os juros para, em seguida, receber o retorno dos agentes financeiros, estimulando juros de até 12% ainda esse ano (a taxa Selic está em 11,25%).Quem criou a expectativa da subida foi a ata do COPOM e as escandalosas e suspeitas entrevistas de um dos diretores do BC, pregando a alta e ameaçando o governo e aqueles que são contra. Os agentes financeiros só se aproveitaram dessa abertura. Não adiantam os dados e a realidade, o BC se move por moto próprio. Sua autonomia se transformou num abuso de autoridade, típica das burocracias autoritárias. Tudo indica que a inflação será no máximo de 4,6% em 2008 e de 4,4% em 2009. Até fevereiro, estava em 4,6%, influenciada pelos aumentos sazonais do leite, carne e feijão. Não se pode esquecer que seu teto é 6,5%, já que 4,5% é o centro da meta, com uma banda para baixo e para cima de 2%. O aumento do crédito está abaixo dos índices de outros países e a inadimplência dentro do normal. Os salários aumentam menos que a produtividade. Ampliam-se os investimentos e a capacidade produtiva instalada. Nada indica uma inflação de demanda. Crescem a economia e as nossas reservas, o governo mantém o superávit - na verdade, maior do que o programado - e adapta o orçamento ao fim da CPMF.Nada justifica, portanto, subir os juros agora. Ninguém está a favor - até a Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo fizeram editorais contra. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) - pasmem! - declara que a principal vulnerabilidade do Brasil são os juros altos. Ao diagnóstico, eu acrescento a dívida pública interna, cujos juros consomem todos os anos R$ 150 bi dos impostos que pagamos; uma concentração de renda nunca vista no mundo, já que 70% desse valor fica em mãos de 13 mil pessoas físicas e jurídicas; e os efeitos da valorização do real, o que leva os agentes financeiros a tomarem emprestado dólares baratos no exterior e investí-los no Brasil para ganhar 10% ao ano, um crime contra o país. Com mais dólares no Brasil o real se valoriza, nossas exportações perdem competitividade e o país é inundado por importações boas e ruins, com sérios riscos para sua balança comercial e de pagamentos. Até quando vai essa dança macabra do BC e do COPOM, esse abuso de autoridade, esse jogo com o futuro do pais?”