Estou participando da criação de uma campanha publicitária contra a homofobia. Se por um lado o movimento gay e seus importantes parceiros conseguiram, com suas paradas, debates e iniciativas corajosas, enfrentar preconceitos, por outro há reações homofóbicas crescentes, principalmente por líderes religiosos pentecostais que sempre associam a homossexualidade a doenças e a práticas criminosas. Além da violência física, há a violência psicológica tão cruel quanto a bofetada.
O desenvolvimento da campanha contra o preconceito e a discriminação é um trabalho voluntário que me faz sentir mais gente, mais útil à vida, numa época em que a descrença e a frustração com as produções de comunicação têm marcado a minha existência. O marketing político está um nojo. Aliás, depois do episódio do Duda Mendonça, com a sua fábrica de ganhar dinheiro e vender políticos como se fossem sabão em pó - "pura limpeza" - tenho ficado cada vez mais distante disso. E o Duda está de volta e parece que vai prestar consultoria até para a Luzianne Lins, prefeita de Fortaleza (PT). Até ela, que se elegeu com uma campanha militante belíssima, contra tudo e contra todos, inclusive sem o apoio de Lula e do PT do Ceará, que conspiraram contra a candidata petista por causa do acordo com o Ciro Gomes - até ela parece se render ao poder do mágico das rinhas de galos. O jornalismo prossegue com seu pedantismo e, em alguns casos, conforme mostrou o Luis Nassif, com o mau-caratismo, cujo maior exemplo é a revista Veja. A publicidade, ora traz o sonho de consumo embalados nos carrões em alta velocidade, ora nas mulheres semi-nuas servidas nas bandejas de cerveja, ora traz os bons mocinhos fazendo as propaganda dos bancos como o símbolo mais puro da responsabilidade sócio-ambiental. É de gargalhar. Banco salvando o planeta, salvando a vida. Os lucros do capital financeiro no nosso país, um dos mais desiguais do planeta, é um escândalo, é um atentado contra a dignidade humana. O que se salva e nos salva é o cinema. E o cinema brasileiro vai muito bem.
Mas voltando à campanha publicitária contra a homofobia, fomos buscar na história alguns homens e mulheres que marcaram a trajetória da humanidade e que vivenciaram relações homoafetivas. A lista é grande. De Alexandre – O Grande, Leonardo da Vinci, Sócrates a Frida Kahlo, Marguerite Yource, Virgínia Woolf. E é sobre Virgínia que quero falar.
Virgínia Woolf
Virgínia Woolf me chama atenção há muito tempo. Ela foi uma das mais importantes escritoras britânicas, romancista, crítica literária e uma das pioneiras do Modernismo inglês. Publicou 9 romances e 4 coleções de contos. Deixou mais de 2000 ensaios coletados, escritos sobre literatura, arte, a questão feminina e o pacifismo.
Filha de um editor, frequentou desde cedo o mundo literário. Ajudou a formar famoso grupo de Bloomsbury, círculo de importantes intelectuais que investiu contra as tradições literárias, políticas e sociais da era vitoriana.
Fez conferências para estudantes dos grandes colégios femininos de Cambridge, nas quais mostra sua verve feminista. A vida desta escritora brilhante está no filme The Hours, que tem no elenco atrizes espetaculares, Nicole Kidman, que pela atuação no filme ganhou o Oscar de melhor atriz, Meryl Streep, Julianne Moore. Entretanto, o filme foi alvo de muitas críticas, inclusive da biógrafa da escritora, Hermione Lee.
Uma estudiosa brasileira da obra de Woolf, Vera Lima, diz que "em nenhum momento, o filme deixa entrever o interesse pelo mundo fora de si mesma, que constituía uma das fontes de matéria-prima de suas criações, ou a doçura e a afabilidade que animavam o caráter da escritora”. Ou seja, Vírgínia não era uma coisa só, assim como ninguém é. Nem tampouco somos feitos em camadas, como as vezes o pensamento determinista insiste em nos dizer. Virgínia consta da relação dos bipolares famosos. Mas isso pouco importa, o que vale é a sua obra, a sua postura, o seu ser complexo. As angústias de ser bipolar ou a sua morte anunciada várias vezes e concretizada com a entrega às águas de um rio em fúria fazem parte de um viver diferente que a normalidade rejeita com seus códigos, discursos e regras morais. É nas tramas da vida, na sua diversidade, nas suas angústias, no mergulho na dor, no êxtase das paixões que alguns e algumas vão tecendo o arco-íris criativo da existência humana. Viver é lilás, é azul, é magenta, é vermelho, mas às vezes também é cinza...e, quando cinza, talvez as águas em fúria sejam o início do arco-íris.
Fragmentos de Virgínia
"Uma vez conformado, uma vez feito o que outras pessoas fazem só porque fazem, e uma letargia infiltra-se em todos os nervos mais finos e faculdades da alma. Ela se torna todo o espetáculo externo e vazio interior; estúpida, rígida e indiferente."
O desenvolvimento da campanha contra o preconceito e a discriminação é um trabalho voluntário que me faz sentir mais gente, mais útil à vida, numa época em que a descrença e a frustração com as produções de comunicação têm marcado a minha existência. O marketing político está um nojo. Aliás, depois do episódio do Duda Mendonça, com a sua fábrica de ganhar dinheiro e vender políticos como se fossem sabão em pó - "pura limpeza" - tenho ficado cada vez mais distante disso. E o Duda está de volta e parece que vai prestar consultoria até para a Luzianne Lins, prefeita de Fortaleza (PT). Até ela, que se elegeu com uma campanha militante belíssima, contra tudo e contra todos, inclusive sem o apoio de Lula e do PT do Ceará, que conspiraram contra a candidata petista por causa do acordo com o Ciro Gomes - até ela parece se render ao poder do mágico das rinhas de galos. O jornalismo prossegue com seu pedantismo e, em alguns casos, conforme mostrou o Luis Nassif, com o mau-caratismo, cujo maior exemplo é a revista Veja. A publicidade, ora traz o sonho de consumo embalados nos carrões em alta velocidade, ora nas mulheres semi-nuas servidas nas bandejas de cerveja, ora traz os bons mocinhos fazendo as propaganda dos bancos como o símbolo mais puro da responsabilidade sócio-ambiental. É de gargalhar. Banco salvando o planeta, salvando a vida. Os lucros do capital financeiro no nosso país, um dos mais desiguais do planeta, é um escândalo, é um atentado contra a dignidade humana. O que se salva e nos salva é o cinema. E o cinema brasileiro vai muito bem.
Mas voltando à campanha publicitária contra a homofobia, fomos buscar na história alguns homens e mulheres que marcaram a trajetória da humanidade e que vivenciaram relações homoafetivas. A lista é grande. De Alexandre – O Grande, Leonardo da Vinci, Sócrates a Frida Kahlo, Marguerite Yource, Virgínia Woolf. E é sobre Virgínia que quero falar.
Virgínia Woolf
Virgínia Woolf me chama atenção há muito tempo. Ela foi uma das mais importantes escritoras britânicas, romancista, crítica literária e uma das pioneiras do Modernismo inglês. Publicou 9 romances e 4 coleções de contos. Deixou mais de 2000 ensaios coletados, escritos sobre literatura, arte, a questão feminina e o pacifismo.
Filha de um editor, frequentou desde cedo o mundo literário. Ajudou a formar famoso grupo de Bloomsbury, círculo de importantes intelectuais que investiu contra as tradições literárias, políticas e sociais da era vitoriana.
Fez conferências para estudantes dos grandes colégios femininos de Cambridge, nas quais mostra sua verve feminista. A vida desta escritora brilhante está no filme The Hours, que tem no elenco atrizes espetaculares, Nicole Kidman, que pela atuação no filme ganhou o Oscar de melhor atriz, Meryl Streep, Julianne Moore. Entretanto, o filme foi alvo de muitas críticas, inclusive da biógrafa da escritora, Hermione Lee.
Uma estudiosa brasileira da obra de Woolf, Vera Lima, diz que "em nenhum momento, o filme deixa entrever o interesse pelo mundo fora de si mesma, que constituía uma das fontes de matéria-prima de suas criações, ou a doçura e a afabilidade que animavam o caráter da escritora”. Ou seja, Vírgínia não era uma coisa só, assim como ninguém é. Nem tampouco somos feitos em camadas, como as vezes o pensamento determinista insiste em nos dizer. Virgínia consta da relação dos bipolares famosos. Mas isso pouco importa, o que vale é a sua obra, a sua postura, o seu ser complexo. As angústias de ser bipolar ou a sua morte anunciada várias vezes e concretizada com a entrega às águas de um rio em fúria fazem parte de um viver diferente que a normalidade rejeita com seus códigos, discursos e regras morais. É nas tramas da vida, na sua diversidade, nas suas angústias, no mergulho na dor, no êxtase das paixões que alguns e algumas vão tecendo o arco-íris criativo da existência humana. Viver é lilás, é azul, é magenta, é vermelho, mas às vezes também é cinza...e, quando cinza, talvez as águas em fúria sejam o início do arco-íris.
Fragmentos de Virgínia
"Uma vez conformado, uma vez feito o que outras pessoas fazem só porque fazem, e uma letargia infiltra-se em todos os nervos mais finos e faculdades da alma. Ela se torna todo o espetáculo externo e vazio interior; estúpida, rígida e indiferente."
"Esta alma, ou vida dentro de nós, sem opção concorda com a vida exterior. Se alguém tiver a coragem de perguntá-la o que pensa, ela está sempre dizendo exatamente o oposto do que as outras pessoas dizem."
"As coisas se desprenderam de mim. Eu prolonguei certos desejos; eu perdi amigos, alguns para a morte... outros pela incapacidade de atravessar a rua."
"As mulheres serviram todos estes séculos como espelhos possuindo o poder de refletir a figura do homem duas vezes maior que seu tamanho natural."
Gal - Paula e Bebeto
Qualquer maneira de amor vale a pena
Shirle de Moraes - Paula e Bebeto
Qualquer maneira de amor vale a pena






