sexta-feira, 7 de março de 2008

Se Deus fosse uma mulher"¿Y si Dios fuera una mujer?"


* poesia de Mario Benedetti, poeta uruguaio, enviada para o
Maria-Sem-Vergonha por uma bruxinha linda,
chamada Arlete Pereira
* foto Isadora Duncan

E se Deus fosse uma mulher?
Indaga Juan sem pestanejar
Ora, ora se Deus fosse mulher
É possível que agnósticos e ateus
Não disséssemos não com a cabeça
E disséssemos sim com as entranhas
Talvez nos aproximássemos de sua divina nudez
Para beijar seus pés não de bronze,
Seu púbis não de pedra,
Seus peitos não de mármore,
Seus lábios não de gesso.
Se Deus fosse mulher a abraçaríamos
Para arrancá-la de sua distância
E não haveria que jurar
Até que a morte nos separe
Já que seria imortal por antonomásia
E em vez de transmitir-nos Aids ou pânico
Nos contaminaria de sua imortalidade
Se Deus fosse mulher não se instalaria
Solitária no reino dos céus
Mas nos aguardaria no saguão do inferno
Com seus braços não cerrados,
Sua rosa não de plástico,
E seu amor não de anjo
Ai meu Deus, meu Deus
Se até sempre e desde sempre
Fosses uma mulher
Que belo escândalo seria
Que afortunada, esplêndida, impossível,
Prodigiosa blasfêmia!

8 de março - As bruxas voltaram: ousadas, guerreiras e atrevidas












Desde a antiguidade, muitas de nós, mulheres, desenvolveram habilidades para extrair da natureza as ervas poderosas para os rituais de cura por meio de chás, benzimentos, emplastos. Essas curandeiras, parteiras, traziam em sua história conhecimentos empíricos que eram transmitidos de geração em geração. Em muitas tribos eram elas as xamãs. Na Idade Média, esse conhecimento era vital para os camponeses que viviam nos feudos, sem acesso a serviços de saúde. Assim, as curandeiras com suas ervas, sua sabedoria ancestral e seus rituais eram a própria luz nesse período de trevas.
Com suas “poções mágicas” andavam de aldeia em aldeia, de casa em casa e em torno delas não era de estranhar que se juntassem outras mulheres...conversas, diálogos, ensinamentos, uma confraria, onde trocavam experiências e o mulherio ia aprendendo mais sobre os seus corpos, sobre suas almas. Um perigo...perigo ainda maior quando ousavam participar das revoltas camponesas. Isso, como bem coloca Rose Marie Muraro, era visto como uma transgressão política, trangressão da sexualidade, trangressão ao sistema, e, portanto, incomodava as autoridades eclesiásticas que passaram a desenvolver um controle – um controle dos corpos, um controle da mente, um controle da alma dessas bruxas que ameaçavam o poder católico e o poder econômico. Era necessário expurgá-las, uma vez que carregavam em si o demônio. E o expurgo do feminino ganhou até manual, o Malleus Maleficarum (O Martelo das Bruxas), publicado em 1487 na Alemanha e depois utilizado em toda a Europa. Ele ensinava os juízes a reconhecerem as bruxas, classificava os malefícios causados por essas senhoras e depois instituía as penalidades. Diz o Manual “a primeira e maior característica, aquela que dá todo o poder às feiticeiras, é copular com o demônio...uma vez obtida essa intimidade, as feiticeiras são capazes de desencadear todos os males...”
E foi assim, no fim da Idade Média e no Renascimento, durante quatro séculos, que se desenvolveu uma caça histérica às bruxas. Estima-se que sete milhões de mulheres foram condenadas, mortas, queimadas pela “Santa Inquisição”. Uma fogueira planejada para controlar corpos e aquelas que não se adequavam ao novo sistema que nascia: o sistema capitalista que precisa de corpos e mentes dóceis, alienados, que não vão se rebelar.
“De doadora da vida, símbolo da fertilidade para as colheitas e os animais, agora a situação se inverte: a mulher é a primeira e a mais pecadora, a origem de todas as ações nocivas ao homem, à natureza (...) A sexualidade se normatiza e as mulheres se tornam frígidas, pois orgasmo era coisa do diabo” (MURARO, 2000).
É nesse contexto que se normatiza o comportamento do que é masculino e do que é feminino, na esfera pública e na esfera privada, aprofunda-se ainda mais a divisão sexual do trabalho, forma-se a classe operária e se intensifica a exploração capitalista.


As bruxas dos tempos modernos
E no século passado, as bruxas retornaram invocando a força das suas antecessoras e assumiram à frente dos movimentos socialistas, dos movimentos culturais e artísticos e organizaram os movimentos feministas. Hoje, não carregam vassouras, mas levantam estandartes, bandeiras. As poções mágicas ganham outros ingredientes: livros, pincéis, teclados, microfones, tintas, ferramentas. Redescobrem os seus corpos, reaprendem o direito ao prazer, ao orgasmo, à fantasia, constróem o conceito de gênero. Levam para o mundo masculino o valor da solidariedade, da não-competição, da comunhão cósmica com o meio ambiente. Denunciam a violência, dizem não à guerra, às desigualdades, às injustiças e às misérias do capitalismo. Anunciam um outro mundo possível, onde a igualdade, o respeito e a dignidade farão parte do nosso gozo coletivo...que isso seja uma conquista do terceiro milênio.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Mulheres admiráveis – As bruxas que ajudaram a transformar a História

Dorcelina Folador
Olympe de Gouges
Anais Nim


Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo


Olga Benário

Pagu

Mais um 8 de março se aproxima...Não, não, não quero flores! Não, não, não quero perfumes! Não, não, não quero presentinhos! Não me venha com aquele “parabéns”!. Eu quero é movimentos, reflexão, fazer um balanço: que mulher eu sou neste século XXI? Que tipo de profissional eu me tornei? Como anda a minha solidariedade? Com quais valores tenho educado os meus filhos? O que tenho feito para transformar o mundo ou o meu pequeno mundo? Como tenho cuidado do meu corpo, da minha sexualidade, dos meus desejos? Como tenho me relacionado com a outras mulheres? O que tenho feito pela busca da igualdade? Como anda a minha relação com o meu companheiro?
Não tenho nenhuma dúvida. Nasci no século da revolução feminina, marcado pela conquista do nosso direito ao voto, pela nossa inserção em massa no mercado de trabalho, pela presença majoritária nas universidades, por mudanças culturais importantes, pela conquista de direitos civis e sociais importantes. Mas no campo econômico ainda temos muito a avançar para que a riqueza seja partilhada. De toda riqueza mundial, detemos apenas 1%, ou seja, o capital pertence aos homens. Na política, de acordo com o último levantamento divulgado pela organização internacional União Interparlamentar, com sede em Genebra, na Suíça, o Brasil ocupa a 146ª posição em um ranking sobre a participação das mulheres nos Parlamentos em 192 países do mundo. Na América Latina o Brasil fica à frente apenas de Haiti e Colômbia no que se refere à proporção de mulheres deputadas. Um outro aspecto da desigualdade de gênero é a violência. De acordo, com pesquisa da Fundação Perseu Abramo, a cada 15 segundos uma mulher sofre algum tipo de agressão no país. A violência é uma das faces mais perversas do sexismo. E a melhor arma para coibi-la é sem dúvida a Lei Maria da Penha, a qual merecia dos governos federal, estadual e municipais recursos para campanhas educativas na televisão divulgando as suas garantias. A Lei Maria da Penha deveria ser impressa nos saquinhos das padarias...
Enquanto isso não vem, sei que o 8 de Março também é um dia para celebrar onquistas. Sim. Só de imaginar que no antigo Código Civil precisávamos da autorização do marido para fazermos compras..ria.. mas é verdade. A nossa revolução mudou a lei, mudou tradições, mudou culturas, mudou sentimentos e tem de mudar as gerações futuras. E essa revolução, ao longo da história, esteve ligada aos movimentos de esquerda. Vale lembrar o papel decisivo de Olympe de Gouges na Revolução Francesa que, pela ousadia de escrever a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã e questionar o machismo e o conservadorismo dos jacobinos, foi condenada a morrer no cadafalso em 1793.
A partir de hoje, durante toda semana, o Maria-Sem-Vergonha vai dedicar a falar de nós, mulheres, especialmente, das bruxas que com ousadia ajudaram a transformar a história, erguendo bandeiras, queimando soutiens, utilizando o corpo como um discurso político e estético, desenhando sonhos, denunciando desigualdades...Ah! Essas bruxas, suas poções mágicas me enfeitiçam, me dão força, coragem, para seguir em frente, com a cabeça erguida, fazendo justiça quando nuvens de injustiças param sobre o meu céu.


Pagu - Maria Rita

porque nem toda brasileira é bunda




quarta-feira, 5 de março de 2008

Veja e Fidel - um dia diremos: essa revista já faliu tarde

* por Kelly Garcia

No último domingo ao fazer o ritual matinal de ir comprar pão fresquinho para o café, dei uma rápida olhada nas manchetes dos jornais e das revistas na banca vizinha à padaria. Chamou especialmente minha atenção a capa de uma delas que trazia a figura do Fidel Castro dando especial destaque a frase: Já vai tarde. Fico impressionada com a sagacidade dos “marqueteiros” para promoverem seu produto final. Foram capazes de bolar aquela capa impactante, toda em vermelho e preto, dando um ar sombrio ao perfil do revolucionário cubano acompanhada da já citada frase bombástica. Com aquela arte da capa de pronto, fiquei sabendo como iria acabar aquela matéria “jornalística”, que estaria escrita no interior da revista, em algum lugar por entre os anúncios publicitários, de no mínimo 5 operadoras de celular, 3 marcas de cerveja, 7 laboratórios de medicamentos, 5 marcas de tênis, 3 marcas de hidratante, 2 marcas de aparelhos de barbear, 10 modelos de carros, 5 modelos de motocicletas, 2 tipos de absorventes, 1 joalheria, 2 do governo de São Paulo, e, logicamente, 5 marcas de ovos de chocolate, afinal março é o mês da Páscoa. Só no olhar a estampa da revista já pude ler suas entrelinhas. Na matéria, provavelmente, eles não falaram da situação lastimável que era Cuba, no governo de Fulgêncio Batista, e como esse governante havia entregado a pequena ilha aos mandos e desmandos dos Estados Unidos, oprimindo o povo ao ponto de alimentar uma revolução (ou alguém acredita que ela aconteça sem o seu apoio?).Com certeza também não encontraria informações tratando dos indicadores sociais relacionados a educação, a saúde, a alimentação, a moradia em Cuba que são superiores a de muitos países mais ricos, superando inclusive aos indicadores sociais dos Estados Unidos.Também não conteria no texto uma abordagem mais crítica sobre o bloqueio imbecil e cruel que os Estados Unidos impôs e ainda impõe ao povo cubano, mesmo estando a guerra fria enterrada há mais de vinte anos. Nem relataria que essa barreira desumana que impediu durante anos de chegar em Cuba medicamentos como a aspirina, por exemplo. Provavelmente, a matéria jornalística não irá contribuir para responder as minhas indagações, do tipo: - se os cubanos carregam a marca indelével dos revolucionários, se foram capazes de sair dos campos miseráveis, dos guetos das cidades para reagir contra Fulgêncio Batista e os Estados Unidos, por que eles então suportaram todo esses anos o “vejamente” retratado “famigerado ditador” ?- por que a violência do governo de Fidel não está expressa nas músicas, no teatro, na literatura, na poesia da maioria dos artistas Cubanos. A arte é incapaz de ser conivente com a violência, basta lembrarmos da fecunda produção artística de nosso país nos anos da ditadura militar, em que nos palcos, nos bares, nas rodas de música floresceu resistência. - por que uma “ilhazinha” sem peso econômico, sem importância comercial incomoda tanto, e contra ela se erguem tantos grupos econômicos, como se por ela fosse ser iniciada a derrocada final do capitalismo...não foi próprio San e seus sobrinhos amestrados que juram ter enterrado o socialismo, ou não? Não é de duvidar porque eles já mataram a História pelos menos umas duzentas vezes( a última foi por um ataque suicida do Fukyama). Espero que o cantor cubano Silvio Rodriguez não tenha tomado conhecimento da revista, porque ele afirmou há pouco dias em uma entrevista que não gostaria de ver seu povo sendo subestimado, “A única coisa que não suporta nem acho que venha a suportar a maioria dos cubanos é que se pretenda humilhar nossa história e submeter nossa soberania, e com isso trair os ideais de José Martí.” De qualquer forma, depois de observar aquela capa de revista, tão bem elaborada, capaz de sintetizar em uma página sua principal matéria jornalística, não fiquei estimulada a adquirir o exemplar, porque ela não conseguiria responder minhas curiosidades. Assim preferi gastar o restante do dinheiro para comprar também pães de queijo.Nessa sociedade de mercado, se essa revista continuar dando o seu recado logo na capa daqui a pouco a gente vai ter que falar: Já faliu tarde!

* Kelly Garcia é advogada, Mestre em Educação e militante social

domingo, 2 de março de 2008

Geraldo Espíndola na voz quente de Zeca Baleiro

“A música popular agradece a Geraldo Espíndola”. Ouvir isso da voz de Zeca Baleiro é emocionante. Geraldo é sem nenhuma dúvida um dos melhores compositores de Mato Grosso do Sul, senão o melhor. E mais emocionante ainda foi ouvir o Baleiro cantando Cunhataiporã.... Como diz a minha amiga Kelly, “a voz dele dá um arrepio no pescoço”...dá mesmo. Cunhataiporã, moça bonita, me faz lembrar o final dos anos 80, época de muitos shows no Teatro Glauce Rocha, de muitos encontros no Bar do PT na 7 de Setembro, do Show Prata da Casa, das madrugadas comendo sobá na Feira Central na Padre João Crippa, de muitos sonhos espalhados nas ruas, praças e avenidas e, obviamente, do Trem do Pantanal. Quem já pegou aquele trem sabe do que estou falando. Ouvir hoje Cunhataiporã na voz do Zeca foi um presente no show que lotou o Parque das Nações. Procurei no YouTube a gravação do Zeca Baleiro e não achei. Então, fica essa música com o Vaticano 69. Também fica Vapor Barato (demais) e Ópio (perfeita).


Cunhataiporã
Onde você quer ir meu bem?

Diga logo pra eu ir também
Você quer pegar aquele trem?
É naquele trem que eu vou também
É pra Ponta Porã?
Cunhataiporã chero rai rô
É pra Corumbá?
É lá que eu vou pegar um barco
E descer o Rio Paraguai
Cantando as canções que não se ouvem mais

Vapor Barato


Ópio

Rio, mar, corpo, aborto e direitos das mulheres

"Viver, intensamente, é você chorar, rir,
sofrer, participar das coisas, achar a verdade nas coisas que faz.
Encontrar em cada gesto da vida o
sentido exato para que acredite nele e o sinta intensamente."

Leila Diniz


Como é bom ver o mar. Sentir a brisa. Pisar descalça na areia. Ir ao encontro da água. Ver a fúria noturna do Atlântico na Avenida Atlântica. Sentir o meu corpo livre ser tatuado com desenhos invisíveis pelas ondas. Passarei uma parte da Semana Internacional da Mulher no Rio, cidade que me encanta pela sua geografia urbana, pela música, pela beleza despojada dos seres humanos e, inclusive, por mostrar de forma escancarada as desigualdades sociais. Lá, nada é sutil. Diferente daqui, onde os parques e avenidas largas escondem as misérias humanas que disputam os restos podres nos lixões, a dor do abandono e das desigualdades nos becos e vilas - adoro os parques e avenidas, mas quero essa beleza em todos os cantos da cidade.
E por falar em desigualdades, Semana Internacional da Mulher, corpo e Rio de Janeiro, um dia desses uma menina carioca foi presa por buscar ajuda num hospital público para as sequelas de um aborto provocado. Negra, pobre e desesperada, a menina negra foi denunciada por uma profissional do hospital e foi condenada por uma juíza a pagar uma fiança de 2 mil reais. Até nos casos de aborto, a condenação tem componente de classe e étnico, uma vez que a menina negra só foi presa porque buscou atendimento num hospital público. Já as meninas ricas, que fazem abortos nas clínicas particulares e recebem um tratamento digno, jamais correriam esse risco e nem de morte.
Não se arrepiem minhas amigas feministas, mas digo que não sou a favor dos discursos que defendem o aborto como método contraceptivo. A questão é bem mais complexa. Mas também repudio os discursos moralistas religiosos que se fecham na condenação e são cúmplices das milhares de mortes por ano de mulheres, na sua maioria negras e miseráveis, vítimas de abortos clandestinos. Devemos romper com essa hipocrisia e assumir que o aborto mata as nossas mulheres e que o Estado deve intervir para assegurar o direito à vida e à saúde. No Brasil, o aborto inseguro é a quarta maior causa de morte materna. Estima-se que a cada ano ocorram de 750 mil a 1 milhão de abortos clandestinos. A única forma de reduzir essa prática insegura é legalizando-o. Isto é, o aborto deve deixar de ser crime e o sistema de saúde pública deve assegurá-lo às mulheres com gravidez indesejada, além, é óbvio, de tratamento digno.
Neste aspecto, há no Ministério da Saúde uma grande sensibilidade de tratar o aborto como tema de saúde pública, em sintonia com as plataformas do Cairo e de Pequim. Defendo que o aborto seja utilizado como o último recurso e que a sua legalização venha acompanhada de medidas preventivas como a educação sexual e o acesso a meios de contracepção. Atualmente, O Código Penal ainda vigente, de 1940, considera o aborto crime, exceto quando se trata de perigo de vida para a gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.

Nós, mulheres, sabemos muito bem que a nossa sexualidade e os direitos reprodutivos ainda estão submetidos a uma cultura sexista. A nós é imputada a culpa por uma gravidez indesejada, como se o ato sexual fosse uma atitude solitária. Relações sexuais forçadas são rotinas no país, inclusive dentro de instituições religiosas.

A revolução feminina, que marcou o século XX ao lado da revolução tecnológica, deve prosseguir intensa neste século XXI com muitas lutas, movimentos, direitos, conquistas, transformações e poesia: "você me vem de novo...chega, não pede licença, transforma palavras em imagens fálicas e, ainda, se sente dono da casa, portador de todos os direitos, inclusive de tocar o meu corpo...Ah, homem! Não vá pensando que é assim...Esta casa tem dono, ou melhor, tem dona: mulher atrevida, metida, destemida, que para você se meter a entrar e meter vai ter que aprender a curar as minhas feridas, a me olhar por dentro, a me ungir com amor, a trazer a lua cheia, a plantar violetas no meu jardim e molhá-lo com salivas doces... " (NS)

Encontro no Dia 8 de Março
No dia Internacional das Mulheres, estaremos fazendo um grande encontro virtual no blog da minha amiga Lys, astrônoma, que mora na Inglaterra. Vocês estão convidados/as a participar e postar informações, questões, certezas, dúvidas, conquistas, desafios que nos levam a continuar na luta pela igualdade na diversidade.
http://universodesconexo.wordpress.com/coletiva-pelas-mulheres/

Esquerdismo a serviço do neoliberalismo

*por Erisvaldo Batista Ajala

Lênin escreveu “Esquerdismo, doença infantil do comunismo” e hoje como seria
“Esquerdismo, doença insana dos sectários ? “


Na grave crise política no Brasil, os campos estão cada vez mais delimitados e a polarização se exacerba. Num pólo, as forças democráticas e populares que apóiam o governo Lula e que, mesmo criticando seus equívocos e contradições, enxergam nesta experiência sui generis a chance do país superar o cancro do neoliberalismo.
Na atual crise, as forças conservadoras contam com os aliados de discurso esquerdista.
As “ forças esquerdistas “ gastam bem mais energias, recursos, nesta oposição inflexível do que na crítica às manobras sorrateiras da direita. Não é para menos que a mídia burguesa, sob o controle de poucas famílias, tem dado generosos espaços para estes agrupamentos esquerdistas e assim desqualificando e colocando num mesmo saco partidos históricos na luta pelos trabalhadores, movimentos sociais, etc..
O esquerdismo, a doença Insana dos sectários! Partidários do quanto pior melhor, apenas lamentam o adiamento da revolução.
O problema é que a burguesia também está atenta e as ilusões de classe costumam ser desastrosas. Enquanto o esquerdismo prega o “ fora todos “, não enxergam que isto faz parte do script golpista da elite, se tornam os novos queridinhos da mídia; cedendo espaço que negam o MST, para o ataque o neoliberalismo e ao capitalismo, contra o imperialismo e suas guerras, bancos e especuladores.
O que padece no esquerdismo senil é não perceber que a estratégia da direita não se limita a trucidar o PT e a desgastar o governo Lula; ela deseja mesmo é aniquilar toda esquerda política e social brasileira.
Na hora certa, ela tentará colocar no seu devido cantinho os setores que hoje esbanjam a “ fraseologia revolucionária “ e que investem na construção da chamada “ oposição de esquerda “, sem levar em conta a brutal ofensiva do bloco liberal-conservador, a natureza contraditória do governo Lula e a adversa correlação de forças.

Erisvaldo Batista Ajala, professor e ativista ambiental.